Luís Witt­nich Car­risso

[n. Figueira da Foz, 1886 – m. 1937, deserto do Namibe]

Luís Witt­nich Carisso foi botâ­nico e Pro­fes­sor Cate­drá­tico da Facul­dade de Ciên­cias da Uni­ver­si­dade de Coim­bra. A estas fun­ções juntou-se o cargo de direc­tor do Jar­dim, Labo­ra­tó­rio e Museu Botâ­nico de Coim­bra que assu­miu por oca­sião da jubi­la­ção de Júlio Hen­ri­ques.

Durante a sua direc­ção, o Jar­dim Botâ­nico foi muito enri­que­cido com novas plan­tas, nome­a­da­mente com plan­tas afri­ca­nas, a mai­o­ria ori­gi­ná­rias de Angola.
O seu inte­resse e pai­xão por Angola levaram-no a empre­en­der três expe­di­ções botâ­ni­cas a este país (1927, 1929, 1937). Empenhou-se no estudo da flora desta ex-colónia por­tu­guesa tendo orga­ni­zado gran­des colec­ções de plan­tas para her­bá­rio, que foi publi­cando em suces­si­vas edi­ções do Bole­tim da Soci­e­dade Bro­te­ri­ana e que resul­ta­ram na publi­ca­ção do Cons­pec­tus Flora Ango­len­sis.

O Her­bá­rio da Uni­ver­si­dade de Coim­bra desenvolveu-se enor­me­mente sob a coor­de­na­ção de Luís Car­risso, quer a par­tir das suas pró­prias colhei­tas, quer pelas mui­tas her­bo­ri­za­ções que man­dou efec­tuar em Por­tu­gal e nas ex-colónias.

 

Rosette Batarda Fernandes

Nome: Rosette Batarda Fernandes
Nascimento:
1 de Outubro de 1916, Redondo, Portugal
Morte:
28 de Maio de 2005, Coimbra, Portugal
Naturalista
do Instituto Botânico da Universidade de Coimbra – Investigadora Principal

Rosette Mercedes Saraiva Batarda nasceu na vila do Redondo (Alto Alentejo), a 1 de Outubro de 1916. Em 1928 inscreveu-se no Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho e, em 1941, licenciou-se em Ciências Biológicas pela Universidade de Lisboa, com 18 valores.

Esse ano viria a ser determinante na sua vida, pois, em Junho, durante um Congresso de Ciências Naturais realizado em Lisboa, conheceria aquele que viria a ser o companheiro de toda a sua vida, o Prof. Doutor Abílio Fernandes. Passou então a residir em Coimbra, onde seu marido foi, desde Agosto desse ano, Director do Museu, Laboratório e Jardim Botânico da Universidade de Coimbra. Em 14 de Novembro de 1947, viria a ser nomeada Naturalista dessa instituição, onde trabalhou toda a vida, tendo-se aposentado como Investigadora Principal.

Assumiu, com elevado sentido de responsabilidade, a sua carreira, tendo, entre outras tarefas, reorganizado o Herbário de Coimbra (COI) e actualizado a nomenclatura das plantas de Portugal e muitas das ex-colónias, e ficando responsável pela publicação do Index Seminum do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra.

Para além das numerosas expedições botânicas que Rosette Batarda Fernandes realizou em Portugal Continental, cabe referir, ainda, a que, em conjunto com a equipa do Laboratório de Botânica da Universidade de Lourenço Marques e com seu marido, efectuou em Moçambique, onde foram colhidas importantes colecções de plantas que viriam a enriquecer os espólios dos Herbários do Instituto Botânico de Coimbra e do Centro de Investigação Científica Tropical

De 1944 a 1991 participou em 41 congressos internacionais, realizados em Espanha, França, Reino Unido, Suécia e Portugal. Entre 1945 e 2000 publicou cerca de 250 trabalhos, abrangendo, sobretudo, o campo da sistemática vegetal, embora também se tenha dedicado, de forma meritória, à cariologia, à etnobotânica e à história da botânica.

Da sua vasta obra em fitotaxonomia, além de numerosas combinações novas, cabe destacar mais de meia centena de taxa novos para a ciência, alguns deles a nível genérico (ex. Gravesiella).

Como testemunho do apreço e admiração com que era tida, foram-lhe dedicadas várias espécies, entre as quais Marsilea batardae e Polypodium batardae. As publicações sobre cariologia das Angiospérmicas (entre as quais diversos taxa de Narcissus), foram, na sua maioria, editadas entre 1945 e 1947, em colaboração com o Prof. Doutor Abílio Fernandes.

Sobre a flora Macaronésica, devem-se-lhe 33 artigos relacionados com a taxonomia de um elevado número de taxa de Pteridófitos (p. ex.Asplenium e Dryopteris), e de Espermatófitos (p. ex. Alnus e Cucumis), publicados, na sua maioria, no Anuário da Sociedade Broteriana, Boletim da Sociedade Broteriana e Iconographia Selecta Florae Azoricae.

Quanto à flora da Península Ibérica, são de salientar os trabalhos publicados, entre 1993 e 1997, na Flora Ibérica (vols. III, IV e V), que incluem os tratamentos taxonómicos de 8 géneros pertencentes às Cruciferae, Crassulaceae, Curcubitaceae, e Malvaceae. No que respeita à flora da Europa, merecem especial destaque os trabalhos publicados nos volumes II (1968), III (1972) e IV (1976) daFlora Europaea, que abrangem o estudo da sistemática de 11 géneros, pertencentes às Boraginaceae, Compositae, Labiatae, Malvaceae e Scrophulariaceae.

Quanto aos estudos taxonómicos referentes à flora africana, publicou (1954-2000), 80 trabalhos, em revistas e obras como: Conspectus Florae Angolensis, Garcia de Orta, Flora de Moçambique e Flora Zambesiaca. São de citar, entre outros, os seus estudos taxonómicos sobre as Melastomataceae, Verbenaceae, Labiatae, Anacardiaceae e Curcubitaceae.

No que respeita à Etnobotânica e à História da Botânica, são de destacar, respectivamente, os artigos que publicou sobre a Botânica na poesia popular e na heráldica de Portugal; aqueles que editou sobre as viagens de Manuel Galvão da Silva em Moçambique e sobre a história botânica da melancia e da gila.

Rosette Batarda Fernandes faleceu a 28 de Maio de 2005, com 88 anos de idade. Dos últimos trabalhos que elaborou, foram publicados na Flora Zambesiaca e já depois do seu falecimento, os tratamentos taxonómicos das Avicenniaceae, Verbenaceae e Lamiaceae.

 

 

 

Augusto Napoleone Berlese

Nome: Augusto Napoleone Berlese
Nascimento:
21 de Outubro de 1864, Pádua, Itália
Morte:
26 de Janeiro de 1903, Milão, Itália


Augusto Napoleone Berlese
foi um botânico e micólogo italiano que nasceu em Pádua 21 de Outubro de 1864 e faleceu em Milão a 26 de Janeiro de 1903, vítima de pneumonia. Era irmão do também botânico e entomólogo António Berlese (1863-1927), que se destacou no estudo da acarologia, sendo considerado o fundador da sistemática dos ácaros. Juntos, fundaram a Revista di Patologia vegetale, em 1892.

Augusto Napoleone Berlese formou-se em Ciências Naturais, em 1885, na Universidade de Pádua e foi assistente de Pier Andrea Saccardo (a quem auxiliou na escrita do trabalho “Sylloge Fungorum”), tendo-se dedicado ao estudo de parasitas quer de plantas, quer de animais. Em 1901, tornou-se no primeiro professor da cadeira de fitopatologia em Itália, introduzida na Universidade de Milão, onde leccionou até à sua morte prematura em 1903.

Este botânico colaborou com Júlio Henriques no estudo da flora micológica africana, tendo contribuído, nomeadamente, para as seguintes publicações:

  • Henriques, J. A. (1885). Contribuição para o estudo da flora d’algumas possessões portuguezas – Plantas colhidas por F. Newton na Africa occidental. Boletim da Sociedade Broteriana, 3, 129-140 e 226-229 .
  • Henriques, J. A. (1886). Contribuições para o estudo da flora d’Africa – Flora de S. Thomé – Catalogo das plantas cryptogamicas. Boletim da Sociedade Broteriana, 4, 129-221 .
  • Henriques, J. A. (1887). Contribuições para o estudo da flora d’Africa – Catalogo da flora da Ilha de S. Thomé. Boletim da Sociedade Broteriana, 5, 196-220 .

Publicou, ainda, o seguinte trabalho no Boletim da Sociedade Broteriana:

  • Saccardo, P. A.; Berlese, A. N. (1889). Mycetes aliquot guineenses a clar. Moller et F. Newton lecti in ins. S. Thomae et Principis. Boletim da Sociedade Broteriana, 7, 110-114 .

Existe no acervo de Botânica da Universidade de Coimbra um bilhete-postal de Augusto Napoleone Berlese dirigido a Júlio Henriques e disponível online na Biblioteca Digital de Botânica no seguinte endereço:

A abreviatura padrão utilizada para fazer referência a Augusto Napoleone Berlese como autoridade na descrição e classificação científica de taxa botânicos é Berl. ( lista de taxa descritos )

(Nota: procurar alguma referência de JH a Berlese)

Jacob Georg Agardh

Nome: Jacob Georg Agardh; Jakob Georg Agardh
Nascimento:
8 de Dezembro de 1813, Lund, Suécia
Morte:
17 de Janeiro de 1901

Jacob Georg Agardh (ou Jakob Georg Agardh) foi um botânico, ficologista e taxonomista sueco que nasceu em Lund a 8 de Dezembro de 1813 e faleceu a 17 de Janeiro de 1901. Era filho do também botânico Carl Adolph Agardh (1785-1859), Professor na Universidade de Lund e, posteriormente, Bispo da diocese de Karlstad.

Jacob Georg Agardh obteve o grau de Doutor em Ciências Philosophicas na Universidade de Lund em 1832; foi nomeado Professor Extraordinário de Botânica em 1836 e Professor Ordinário em 1847, lugar que ocupou até 1879. Interessou-se também pela economia, tendo sido membro do Parlamento sueco entre 1867 e 1872.

Tal como o seu pai, dedicou a sua pesquisa essencialmente ao estudo das algas marinhas, nomeadamente as cianobactérias, deixando sobre este grupo publicações de grande valor. Destaca-se o trabalho “Species, genera et ordines Algarum”, publicado em três volumes, entre 1848-1901. Aquando da sua morte encontrava-se a trabalhar na publicação da obra “Analecta Algarum” que iniciou já com 80 anos de idade.

Era um botânico reconhecido a nível mundial, devido ao seu mérito científico, como se pode comprovar pelas palavras de Júlio Henriques: “e ra a primeira autoridade sobre algas, e por isso era muito consultado.” (In: Boletim da Sociedade Broteriana, 1901, p. 179). Desta forma, recebeu diversas manifestações de consideração por parte de sociedades científicas e de governos. A título de exemplo: em 1849 foi eleito membro da Real Academia das Ciências Suécia; em 1867 foi-lhe conferido o diploma de membro da Sociedade Linneana de Londres tendo, em 1897, recebido a medalha de ouro da mesma sociedade; em 1878 foi eleito membro honorário estrangeiro da Academia Americana das Artes e Ciências. No dia em que completou 80 anos, de acordo com Júlio Henriques “recebeu o professor Agardh uma notavel manifestação da muita consideração que ao seu grande valor consagravam os botanicos de quasi todas as nações” (In: Boletim da Sociedade Broteriana, 1901, p. 179).

Júlio Henriques refere, ainda, que Jacob Georg Agardh “ legou o seu rico herbario á Universidade de Lund, que o guarda com respeito e segurança, cumprindo o desejo manifestado pelo doador de que nunca d’elle fosse separado qualquer exemplar ” (In: Boletim da Sociedade Broteriana, 1901, p. 179).

Este botânico colaborou com Júlio Henriques no estudo das algas de S. Tomé e Príncipe, tendo contribuído, nomeadamente, para a seguinte publicação:

  • Henriques, J. A. (1886). Contribuições para o estudo da flora d’Africa – Flora de S. Thomé – Catalogo das plantas cryptogamicas. Boletim da Sociedade Broteriana, 4, 129-221 .

Existem no acervo de Botânica da Universidade de Coimbra duas cartas de Jacob Georg Agardh dirigidas a Júlio Henriques e disponíveis online na Biblioteca Digital de Botânica nos seguintes endereços:

A abreviatura padrão utilizada para fazer referência a Jacob Georg Agardh como autoridade na descrição e classificação científica de taxa botânicos é J.Agardh ( lista de taxa descritos )